“Lugar de mulher é onde ela quiser”, disse a paranaense Djane Costa, que é estradeira com orgulho e apaixonada por Volvo. Ela está certa: seja em casa ou no trecho, acompanhando ou guiando um bruto por longas distâncias, as mulheres conquistam cada vez mais o seu espaço dentro do universo dos caminhoneiros. Se por um lado o seu trabalho é reconhecido pelas empresas, por outro os desafios da estrada são maiores. “Temos que provar a todo tempo que somos tão boas no volante quanto os homens”, explicou Djane na entrevista que publicamos aqui.

“A empresa buscava isso, e ficou contente quando enviei meu currículo”, disse Eliane Colombo Rodrigues Zanol. Há 22 anos, a gaúcha deixou a carreira de professora para virar estradeira. “Comecei ajudando meu vizinho, que tinha um caminhão pequeno com câmara fria para transportar flores. Foi quando comecei a gostar de dirigir um caminhão sozinha. O marido apoiou a profissão da esposa: “Ele disse que, se fosse pra fazer algo que realmente gostasse, eu tinha que ir”.

Antes de se mudar para Balneário Camboriu (SC), onde reside atualmente, Eliane atuou com entregas na linha do Mercosul por oito anos, entre Chile, Argentina e Uruguai. Neste período, chegou a guiar seu bruto por estradas com gelo nos Andes, andando à 13km/h. “As empresas têm dado uma abertura maior para as mulheres por serem mais atenciosas e cuidadosas no volante. Os colegas elogiam e reconhecem a coragem. Alguns se espantam quando veem uma máquina gigante, e descobrem que quem dirige é uma mulher. Acreditam que é necessário uma força bruta para conduzir um caminhão. Na verdade, graças a toda a tecnologia e ergonomia embarcada no veículo, a condução é mais fácil”, conta. Com tanta experiência, não é a toa que Eliane foi uma das finalistas do concurso Caminhoneiro do Ano.

As mulheres fortes e guerreiras nem sempre estão atrás do volante. É o caso da catarinense Cristiane Gobbi, casada com o estradeiro Ruy Hermes Gobbi. Responsável pelo departamento financeiro de uma empresa, ela já acompanhou o marido em viagens para o transporte de mudanças e cargas frágeis. “Ele hoje chega a ficar uma semana fora, no máximo dez dias. Antigamente ele chegava a ficar até 30 dias na estrada”, conta. “Quando ele viaja, a saudade é forte. Mas a gente tem que lidar. É o trabalho dele desde que eu o conheci”

Atualmente, Cristiane e Ruy tem três filhas, de 17 e 12 anos, e uma de cinco meses. “Na maioria das vezes a gente tem que ser mãe e pai. Mas sempre que tem uma data muito especial, ele sempre se faz presente, acompanhando todos os passos das filhas”. E se uma delas decidir seguir a profissão do pai? “Eu dou apoio. É uma profissão difícil, mas digna. Vou ter muito orgulho”, diz.

Na estrada ou fora dela, as mulheres se unem em causas comuns. A Djane coordena um grupo de estradeiras chamado “As Brutonas”. Além de conversas sobre modelos de caminhões e troca de conhecimento, elas compartilham informações importantes sobre as rodovias e dicas de segurança. “No nosso grupo temos uma policial rodoviária, que nos orienta sobre defesa pessoal, como agir em determinadas situações. Nós temos que nos proteger”, explica.

Já a Sônia Maria Monte, de Santa Catarina, ajudou a alertar as mulheres que estão no trecho sobre o câncer de mama. No ano passado, durante a divulgação das ações do Outubro Rosa, ela guiou um Volvo FH nas cores da campanha pelas estradas do Sul e Sudeste. “Os motoristas buzinavam, me chamavam pelo rádio e vinham falar comigo quando estava em algum posto”, contou à época em uma entrevista para o portal Acontecendo Aqui. “Eu explico sobre a campanha e que todas as mulheres estão sujeitas a um câncer de mama. Já perdi duas irmãs de câncer e me sinto uma pessoa privilegiada por poder contribuir com a campanha e ajudar outras pessoas”, diz Sônia.