A Volvo Ocean Race é uma competição que tem um detalhe muito importante: a segurança. As seguidas quebras de barcos nas travessias entraram em pauta em Itajaí, onde as embarcações chegaram na semana retrasada. A cidade-sede, quinta parada da corrida, tem uma importância estratégica nesse sentido, já que serve de estaleiro para solucionar os problemas que costumam acontecer durante a passagem pelo Cabo Horn e os mares gelados do sul.

“Os barcos quebram quando são forçados, quando estão além de sua capacidade”, explicou Tim Hacket, chefe da equipe de terra da Puma, único veleiro que não mostrou problemas na quinta perna entre Auckland e Itajaí. O fato de que a maioria dos barcos tem problemas no percurso preocupa os envolvidos com a competição. Neste ano, desde o começo da regata, três veleiros já perderam o mastro, e todos tiveram avarias no casco ou nas velas. “São barcos que dão a volta ao mundo, mas são frágeis. É preciso optar por velocidade ou segurança para manter a integridade do veleiro. As tripulações são experientes e sabem até onde aguentam. Todos vão puxar 100% da embarcação, e isso pode explicar essas quebras, somando também as condições adversas do tempo”, diz Horácio Carabelli, diretor técnico da Telefonica.

Segundo o diretor náutico da Parada de Itajaí, Ricardo Navarro, a Volvo Ocean Race faz uma reavaliação permanente para corrigir as falhas, monitorando constantemente o clima, por exemplo.  O CEO da Volvo Ocean Race, Knut Frostad, está preocupado e promete ouvir as equipes e os comandantes para tentar entender o que está acontecendo. “É acima do normal”, declara.”É muito cedo para concluir por que isso aconteceu, mas estamos obviamente preocupados com os incidentes vendo tantas quebras em nossos barcos. Esse detalhe não ocorreu só nesta perna, mas é comum em todas edições. Mesmo assim, não é aceitável que tenhamos tantos problemas”, conclui.

O trabalho de pesquisa já começou, e a equipe técnica da Volvo Ocean Race já consultou os projetistas e todos os envolvidos na montagem dos barcos. Frostad diz que uma posição será tomada até o final da competição. “Por enquanto, nosso foco continua sendo a segurança dos velejadores. Vamos ajudar as equipes que ainda não chegaram a Itajaí, como Camper e Abu Dhabi, a voltar o mais rápido possivel”.